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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Banda de forró Srta V. faz sucesso em Florianópolis com foco em composições de mulheres

Com o ritmo no estilo pé de serra, os músicos acreditam que a cidade tem abraçado melhor o movimento na última década

KARIN BARROS, FLORIANÓPOLIS

Cada integrante é de um lugar: tem São Paulo, Bom Retiro, Blumenau e Florianópolis, mas o sentimento pela música e pelo ritmo que escolheram tocar juntos é o mesmo, e isso é o suficiente para fazer deles a banda Srta V.

Tocando forró em Florianópolis há dois anos, o grupo formado por Carol Voigt (voz e triângulo), Osvaldo Pomar (pandeiro, voz e efeitos), Neno Moura (zabumba e voz), Marcelo Besen (sanfona) e Moyses de Jesus (contrabaixo) busca valorizar as músicas das cantoras de forró, sejam as locais, como Tatiana Cobbett, Carol Carneiro, Clara Mendes e Iara Germer, ou as nacionais.

Da esq. para à dir, Neno Moura, Osvaldo Pomar, Carol Voigt e Marcelo Besen, quatro dos integrantes da banda - Marco Santiago/ND


Para Carol, fundadora da banda, a maioria das pessoas conhece os cantores homens do forró, mas não sabem que ao lado deles tinha uma compositora mulher, como foi o caso de Anastácia, mulher de Dominguinhos, Glória Gadelha, das músicas com o mestre Sivuca, Janaína Pereira e Cecéu.

Um dos projetos que eles idealizaram foi o “Forró de saia”, que apresentava só músicas clássicas de mulheres, para reforçar o foco da banda. Carol explica que apesar do grupo ser formado na maioria por homens, existe um diálogo aberto sobre o apoio às mulheres. “Todo mundo está nesse movimento também. O feminismo só com mulheres não vai funcionar nunca”, comenta Osvaldo.

A banda Srta V. começou em Brasília, onde Carol morou por um tempo e se apaixonou pelo balanço do forró. Chegando em Florianópolis, quis continuar o projeto musical e começou a ir atrás de integrantes. O primeiro a se unir ao grupo foi o sanfoneiro Marcelo, que é bem conhecido na cidade pelo instrumento que toca e as diversas bandas que acaba se apresentando junto. Em seguida foram chegando os outros três músicos para compor a banda de forró pé de serra.

Segundo eles, nas escolas de dança os adeptos ao ritmo buscam o forró mais pop, ou universitário, e nas casas noturnas, acaba sendo o baile, que é comandado pelo pé de serra. Nesse, acaba entrando no repertório todos os clássicos do ritmo para o pessoal dançar sem parar. Para Marcelo, na última década o movimento do forró vem mudando na cidade e sendo melhor recebido. “Nos anos 2000 teve o estouro do Falamansa com a ajuda da mídia, e agora vem quem realmente gosta, ouve, pesquisa”, diz.

Até o final do ano, a banda Srta V. deve lançar o primeiro CD na versão catarinense – já que o primeiro mesmo foi em Brasília. O percussionista Osvaldo explica que eles estão em um momento de amadurecimento do repertório, e que essa é a diferença de produzir arte. “Tem que ter muito ensaio, encontro. Não é só o que está sendo tocado, mas a energia que vai junto com a execução, e isso faz a diferença em ser uma banda e não um aglomerado”, coloca ele.

Próxima apresentação:

15/8, 23h, Deraiz Dunas da Joaquina, avenida Prefeito Acácio Garibaldi S Thiago 1777, Joaquina, R$ 20/R$ 15 (até meia-noite, confirmando a presença no evento)

via ndonline

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